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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Libertador - Um filme sobre a vida de Simón Bolívar

“Libertador” (The Liberator) retrata a impressionante história de Simón Bolívar, um herói que lutou contra o imperialismo espanhol que estava instaurado na América do Sul, no século XIX. Bolívar era venezuelano e ajudou a libertar da monarquia espanhola países como: Venezuela, Peru, Equador, Bolívia, Colômbia e Panamá.



Simon Bolívar é considerado um dos grandes mitos da história latino-americana, e basta irmos a alguns países vizinhos para enxergarmos pelas cidades diversas estátuas e monumentos em sua homenagem. Mas afinal, quem era esse homem que é tido como herói por boa parte da América? Contando um pouco da história desse líder revolucionário, O Libertador já pode ser considerado um grande marco na história do cinema venezuelano. O filme conta a vida de Simón Bolívar (1738 - 1830). Bolívar foi fundamental na luta da América Latina pela independência do Império Espanhol, e foi considerado um dos mais influentes políticos da história sul americana.

Em mais de cem batalhas, lutou Simón Bolivar contra o imperialismo espanhol que estava instaurado na América do Sul. O venezuelano promoveu campanhas militares em um território duas vezes maiores do que Alexandre, O Grande fez.Bolívar lutou em mais de 100 batalhas e percorreu mais de 12 mil quilômetros pela América, das terras quentes do norte do continente às geladas montanhas dos Andes. No começo do século 19, a Venezuela ainda era uma província do reino espanhol, fazendo parte de uma extensa área denominada Nova Granada, que comprimia desde o Peru até partes onde hoje é o Panamá.

A luta de Bolívar era justamente contra o império Espanhol, em nome da independência dessa imensa região. Ele queria uma América unida e livre de qualquer colonização, e por isso recebeu a alcunha de Libertador. Reunindo pessoas de diversas tribos e etnias, ele conseguiu formar um exército capaz de lutar de frente com as forças espanholas.

O filme começa mostrando o lado humano de Simon, um homem que era dono de vastas terras na região e que se apaixonou por Maria Teresa, duquesa espanhola, depois de ter ido à Europa para aprimorar seus estudos. Anos depois ele voltaria ao velho continente, onde decidiria de uma vez por todas que não descansaria enquanto não visse as terras da América livres do colonialismo.
Além dos esforços militares de Bolívar, “Libertador” também retrata fases de amor perdido e traições.

A primeira parte do filme mostra o lado família de Símon Bolívar e seu relacionamento apaixonado com a esposa, Maria Teresa (interpretada pela delicada Maria Valverde). Porém, tristes circunstâncias transformam a vida de Bolívar e um reencontro com seu antigo professor, em Paris, o coloca novamente no caminho revolucionário, do sonho de uma América do Sul independente.

Representante da Venezuela no Óscar de 2015, O Libertador já conseguiu uma façanha e tanto: ficar entre os nove finalistas ao prêmio de melhor filme estrangeiro. Com cenas extremamente realistas das batalhas, o filme é uma verdadeira superprodução e um dos filmes mais interessantes já feitos na América Latina. As atuações são excelentes, e o enredo segura o público até o fim, que sai do cinema admirado.

A história de Bolívar é repleta de contratempos e o filme não conseguiu percorrer todos eles com a dedicação necessária. Acredite se quiser, mas os 119 minutos de duração não bastaram. “Libertador” aborda brevemente as complicações da vida de Bolívar após se tornar um governante, mas a mensagem final do filme é tão nobre quanto a luta do personagem: existem algumas batalhas que valem a pena lutar.

Titulo: "Libertador" (The Liberator)
Direção: Alberto Arvelo
Ano: 2013
País: Venezuela/Espanha
Elenco: Édgar Ramírez, Danny Huston, Erich Wildpret e María Valverde

Torrent:  Libertador Torrent – DVDRip Dual Áudio (2013)

O Nascimento de Uma Nação - 1915

Um dos mais polêmicos filmes da cinematografia norte-americana, "O Nascimento de uma Nação" conta a saga de duas famílias, uma do norte e outra do sul em meio à guerra civil. O filme foi baseado na obra literária "The Clansman", de Thomas Dixon e chegou a estrear em Los Angeles com esse título. Um marco do cinema americano, o primeiro filme a contar uma história, é polêmico até hoje por causa do seu conteúdo racista, coloca a organização segregacionista Ku Klux Klan como a responsável pela restauração da política e do estilo de vida do sul após a derrota na guerra.

As sequências de batalhas são esplêndidas, ponto alto de um grande filme prejudicado por sua perspectiva política míope. O público e a imprensa ficaram fascinados pela audácia e qualidade do filme de D. W. Griffith. Nenhum outro filme havia tido tamanha repercussão, o que garantiu a Griffith o título de "pai do cinema". Esta foi a primeira grande produção cinematográfica, utilizando-se de todas as técnicas e recursos possíveis da época e que serviu como base para a criação da indústria cinematográfica de Hollywood.

Especialistas e críticos apontam o lançamento de O Nascimento de uma Nação, dirigido por D.W. Griffith, em março de 1915 nos Estados Unidos, como o início do domínio de Hollywood sobre o cinema mundial, a pedra fundamental do cinema norte-americano e, ao mesmo tempo, o início da maior controvérsia em toda a história da sétima arte.

Tido como o "pai do cinema" por mestres da arte tão diversos como Charles Chaplin, Orson Welles, Sergei Eisenstein e Glauber Rocha, Griffith filmou em O Nascimento de uma Nação a guerra civil americana (1860-1865) e contou uma história de amor, como um Romeu e Julieta, onde o casal é separado pelo Norte e pelo Sul. No meio disso tudo, a maior polêmica: o racismo contra negros. Nascido em 1875 e membro da aristocracia decadente do Sul derrotado na guerra, Griffith usou a parte final do filme para uma apologia infeliz à Ku Klux Klan.

"É muito difícil dissociar a importância que o filme tem para o cinema mundial e para Hollywood por seus avanços técnicos e de linguagem, da questão do racismo. Os americanos até hoje convivem com questões sociais muito complexas", afirmou ao Estado o especialista da Universidade de Londres, Melvyn Stokes.Para o professor Ismail Xavier, doutor em cinema pela USP e pós-doutor pela New York University, a combinação entre um grande filme e uma peça racista fez de O Nascimento de uma Nação um enorme sucesso de público, mas que também despertou grande polêmica. "Foi o primeiro filme a mostrar a importância do cinema para um debate de temas de grande impacto em nível nacional", disse. Xavier, que em 1984 escreveu o livro D.W.Griffith: O nascimento de um cinema, afirmou ao Estado que o filme foi fundamental na transferência da hegemonia do cinema, até então na Itália e na França, para os Estados Unidos, em meio à Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Quando o longa-metragem de Griffith chegou aos cinemas americanos, os grandes sucessos de público até então no país eram filmes estrangeiros, como os italianos Quo Vadis (1912) e Cabiria (1914). Tendo feito mais de 300 filmes de 10 a 15 minutos de duração entre 1907 e 1913, Griffith já tinha dominado algumas das principais técnicas da arte, além de ter criado outras.Foi o primeiro diretor a filmar no terreno vazio da Califórnia que depois seria chamado de Hollywood (em In Old California, de 1910), o primeiro a criticar a especulação dos mercados financeiros (A Corner in a Wheat, de 1909) e o primeiro a filmar histórias de máfia e perseguição policial a gângsteres (The Musketeer's in a Pig Alley, de 1912).

Um dos mais populares críticos do cinema americano, Roger Ebert, anotou em seu livro Grandes Filmes que em O Nascimento de uma Nação, Griffith reuniu e aperfeiçoou as primeiras descobertas da linguagem cinematográfica e suas técnicas influenciaram as estratégias visuais de praticamente todos os filmes produzidos desde então. "Tornaram-se tão conhecidas que nem as notamos. Por outro lado, nós nos alarmamos com as atitudes racistas que eram igualmente invisíveis para a maioria das plateias brancas de 1915".

Na entrevista ao Estado, Stokes afirma que O Nascimento de uma Nação teve importância social histórica ao ser a base de fundação dos movimentos populares de afirmação dos negros nos Estados Unidos. A maior e mais antiga das organizações de luta contra o racismo e pela igualdade dos direitos civis nos EUA, a NAACP, que tinha sido fundada pouco antes, em 1909, moveu grandes manifestações contra a exibição do filme, conseguindo proibir o lançamento em cidades importantes, como Chicago e Boston.A própria NAACP, que teria Martin Luther King como um de seus principais membros nos anos 1950 e 60, aponta que a luta contra filme de Griffith, 100 anos atrás, "ensinou o poder da publicidade" para a organização. Números da entidade apontam que o número de associados saltou de 9 mil pessoas, por volta de 1917, para quase 90 mil membros, apenas dois anos depois. "Ter um presidente negro na Casa Branca neste momento mostra o quanto as sociedades americana e mundial avançaram nesse último século. Quando o filme foi lançado, em 1915, ele foi exibido dentro da Casa Branca, para o então presidente Woodrow Wilson, que era branco e integrante da elite americana. As coisas mudaram muito", afirmou Stokes.

Vale ler também as criticas e analises feitas pelo Pablo Villaça do Cinema em Cena, a do Plano Crítico e a feita pelo Incinerante que vão dar uma visão mais estética e conceitual do ponto de vista cinematográfico.


Ficha Técnica

Título Original: The Birth of a Nation
Gênero: Drama | Histórico | Romance
Ano de Lançamento: 1915
Duração: 180 min
País de Produção: EUA
Diretor(a): D.W. Griffith

Elenco:
Lillian Gish ... Elsie Stoneman
Mae Marsh ... Flora Cameron
Henry B. Walthall ... Col. Ben Cameron
Miriam Cooper ... Margaret Cameron
Mary Alden ... Lydia Brown
Ralph Lewis ... Austin Stoneman
George Siegmann ... Silas Lynch
Walter Long ... Gus
Robert Harron ... Tod Stoneman
Wallace Reid ... Jeff (blacksmith)
Joseph Henabery ... Abraham Lincoln / 13 other bits
Elmer Clifton ... Phil Stoneman
Josephine Crowell ... Mrs. Cameron